quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

#15

O calor de um novo dia misturava-se com os ruídos da cidade já completamente acordada. Morta de cansaço, sentindo-se mais viva que nunca, "Fá" admirava a cidade do seu miradouro privilegiado, num último andar numa das zonas altas onde se situava a "sala de chuto" da empresa.

O café e o cigarro eram rituais de iniciação a cada novo dia, mas hoje, Lisboa parecia-lhe mais viva. Ou seria ela?

Tinha a última noite tão presente que, se fechasse os olhos, conseguia sentir-se junto ao mar, esquecer a hora que passara na fila da A5, O pequeno almoço tomado à pressa, até o beijo nas costas do estranho que dormia. Não houve despedida nem ela o quis. Saiu sorrateiramente sem olhar para trás. Queria guardar as memórias daquela noite sem ter que as misturar com uma despedida.

Conservava vivas as recordações de tudo o que se passara desde que o seguira até ao hotel, a forma como sentira as palmas das mãos suadas e frias enquanto ele seguia na direcção do quarto sem olhar para trás. Agarrou numa vela dirigiu-se para a varanda, acendeu-a. De frente, o mar. Omnipresente, calmo, a reflectir o luar.

- Vou pôr-me à vontade. Se te apetecer faz o mesmo.

Ficou parada sem saber o que fazer. Lá dentro, ele despiu-se, "enfiou" uns calções, tirou uma garrafa de champanhe, dois copos, abriu-a, serviu e deitou-se na cama de rede.

- Ainda não me contaste a cena no fim de semana. Desconfio que deve ser interessante...

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

#14

Fá tentava pôr as ideias em ordem. Algo um bocadinho "complicado" com os olhos daquele "quase desconhecido" pregados nela, e o dedo dele a explorar zonas onde até aí, só o obstetra se tinha aventurado. Na verdade, a sensação de estar "na mão dele" estava a fazê-la corar de tesão. 

- Por onde queres que comece?

- Quem é que andou aqui a mexer?

- A minha amiga...

- A da depilação?

- Aquela em cuja casa estou a viver por agora.

- "Amélia" de seu nome, tanto quanto julgo saber... Essa tinha vontade de a "mamar" desde que foste lá para casa. 

- Achas?

- Nãaoooo... Quando te depilou deu-te um beijinho na cona como ritual de amizade. Costumas fazer isso às tuas amigas, certo?

- Não sejas parvo...

- O que é que ela te fez?

- Estávamos a tomar banho e...

À medida que ia contando o que se tinha passado, começava a sentir espasmos a percorrê-la a partir do baixo ventre. Sem deixar de a olhar, ele enfiara mais um dedo "obrigando-a" a abrir-se um pouco, ao mesmo tempo que o polegar brincava com o "botãozinho" que entretanto estava todo de fora a pedir uma parte dos "mimos".

- ... quando dei por isso já a língua dela fazia coisas que eu nem sabia que existem...

- Mamou-te esta coninha toda, não foi? Gostaste?

- Adorei...

- Vieste-te na boquinha dela?

- Toda...

- Como te vais vir agora?

- Huummm...

- Pouco barulho! Está quieta. Não dês nas vistas.

- Não consigo...

- Vou parar.

- Não pares...

- Portas-te bem?

- Sim...

Puxou-o para si, abraçou-o, e deixou os espasmos percorrê-la. Não quis saber se estava numa esplanada com gente, ou numa ilha solitária. Mordeu-lhe um ombro para não fazer barulho.

Ficou um pouco abraçada a ele sem conseguir dizer nada. Na verdade queria que aquele momento não acabasse. Olhou à volta. Achou que o casal na mesa mais perto se tinha apercebido de alguma coisa, mas esses, estavam mais interessados um no outro. Quanto ao resto, estavam mais longe e pareciam não ter dado por nada. arranjou coragem para o olhar. Encontrou um sorriso meio trocista, todo "filho-da-puta".

- És a primeira que se vem no primeiro abraço. Foi do perfume?

- Cabrão!!

- A sério, amiga, tinha-te prometido que te fazia vir em público, lembras-te?

- ...


quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

#13

Um turbilhão de pensamentos e sensações percorria-lhe a mente impedindo-a de pensar claro.
Conseguia ver o olhar inquisidor fixo no seu, sentia a mão tomar conta de tudo enquanto um dedo  explorava.
A pedido dele  viera sem cuecas e agora via-se dominada pela mão daquele estranho que lhe ordenava que abrisse a mente para além das pernas.
- Que estás a fazer?
- A enfiar-te o dedo na cona. Se quiseres tiro…
- …
- Quando disseste que eras a minha puta era a sério? Ou foi só porque te deu tesão?
- Não sei… Acho que me deu tesão… Ser a tua puta…
- E agora já não dá?
-Dá…
- Ainda bem. Tiro o dedo, ou posso ficar a sentir-te enquanto me contas quem andou aqui a mexer?
-O que queres saber ao certo?
- Podemos começar por aí. Foi algum dos amigos da tua amiga?
- Não!...
- Então?
- Foi ela…
- Não me disseste se queres que tire o dedo.
-… Queres tirar?
- Isso é outro assunto. Perguntei o que tu queres.
- Deixa estar…
- Não te quero a fazer “frete”…
- Deixa…
- Como é que se pede?
- Por favor…
- Conta-me tudo.

#12



A estrada do Guincho acabou quase sem dar por isso. Quando deu por si estava a chegar. O lugar escolhido, uma esplanada sobre a praia do Guincho, era um sitio bastante concorrido nas noites de Verão. Não sabia se isso a desagradara ou aliviara. Agora era só descobrir a "personagem".


Passou breves minutos que pareceram horas a tentar identificar alguém que apenas conhecia de poucas fotos e nada... Tinham combinado na esplanada, aquela hora e ninguém dos presentes correspondia à imagem que guardava.


- Estás muito formal. Vieste directamente do trabalho ou vais jantar com alguém importante?


As palavras sussurradas ao ouvido, por detrás de si fizeram-lhe perder a força nas pernas, mas não desarmou.


- Estava à procura de um "senhor" daqueles que não deixa uma senhora plantada à espera dele, mas já que ele não veio podes ser tu..., disse olhando o mar, sem se virar para trás.


Ele chegou-se o suficiente para o sentir contra si, bem como o calor no ouvido quando falou.


- Estava a observar-te... A tentar tirar uma conclusão a teu respeito. Sabes que hoje, todo o cuidado é pouco...


- Cabrão...


Virou-se e encontrou a boca com que tantas vezes fantasiara à sua espera. Foi um beijo misto de urgência e vontade de saborear. Não muito intenso mas suficientemente demorado para ambos sentirem na pele a reacção do outro.


O jantar decorreu agradável mas tenso. Depois daquele beijo não mais se tocaram. Mário recostava-se para trás enquanto a observava atentamente. A certa altura dera-lhe a sensação de que ele evitara um contacto por debaixo da mesa. Se por um lado isso estava a desorientá-la e a deixá-la insegura, por outro, o ar atento e "guloso" com que ele a observava estava a dar-lhe tesão. Mais do que imaginara numa situação daquelas. Deu consigo a imaginá-lo a dar-lhe comida à boca como num filme que vira há muito tempo, mas na verdade, o que ele fazia era encher-lhe o copo com "eficácia".


Para o café trocaram a mesa mais resguardada por uma mais perto do mar onde já não se enfrentavam.


- Passaste o jantar todo a olhar para mim...


- Desagradou-te?


- Não...


- Estava a imaginar-te por debaixo desse vestido... Tens estado a falar de trivialidades o tempo todo. Estava a tentar perceber quando é que ias largar a capa.


- Que queres dizer com isso?


- Que acho que os últimos tempos tem sido muito mais interessantes do que me estás a contar.


- Nem por isso...


A mão mergulhou ágil por entre as pernas, vestido acima agarrando-a despudoradamente. Não sabia se corava de tesão ou por outra razão qualquer.


- Sou eu que te estou a perguntar. Desde quando tens segredos para mim?


Naquele momento sentiu-se "na mão dele". Com um movimento deitara-lhe as defesas por terra. Estava vulnerável e a adorar...


- Que queres saber?


-Tudo...

#11



- Bom dia, alegria ;)

- Bom dia, tesuda... Estás bem?

- Muito bem, e tu?

- Que é uma maravilha Que tens andado a fazer que não me ligas nenhuma? ;)

- Estou cheia de trabalho e ainda bem porque assim não penso muito.

- Sonsa!! :)

- ??

- E mentirosa...

- Pq dizes isso? :)

- Ainda não me contaste o fds com a tua amiga como prometeste. Estão a dar-se bem?

- Como nunca imaginei ;)

- Já a comeste..?

- Eu? Coitadinha de mim :)

- Então comeu-te ela a ti eheheh

- Doido :)

- Mentirosa!! Chiba-te!! :)

- Brincámos um bocadinho...

- ...

- ??

- Estou à espera...

- Um dia conto-te, cara a cara...

- Parece-me bem hihihihi

- Sim?

- Amanhã chego aí ao fim da tarde. Vou ficar dois dias :)

- Pode ser que arranje um bocadinho... ;)

- Sonsa!! :)

- Não sou nada...

- Vou mamar-te essa coisa boa, fazer-te vir na minha boca...

- Já não é novidade...

- Puta!! :) Vais contar-me tudo enquanto te como :)

- Mas é para me comeres ou para ficar na conversa? :)

- Logo vês ;)


Fá revia mentalmente a conversa do dia anterior enquanto conduzia pelo transito do fim da tarde para se encontrar com o "amigo". Havia mais de um ano que começara a falar com ele. Desenvolveram uma cumplicidade despreocupada pelo anonimato e pela distância. A eminência do encontro provocava-lhe um misto de pânico e tesão.

#10



O ambiente à mesa estava algo pesado, mas bom.


Amélia olhava-a e sorria. Fá ia comendo distraidamente não conseguindo tirar da cabeça o que se tinha passado há minutos.


Deixou que ela lhe desse banho, devagar, pormenorizadamente... Agarrou na esponja e fez o mesmo. Nunca tinha explorado daquela forma o corpo de outra mulher. A certa altura passou a esponja para a outra mão e ensaboou-lhe a vulva com a mão nua. A tesão que isso lhe deu foi ao ponto de a "acariciar". Ao levantar-se, depois de um momento a olharem-se nos olhos, trocaram um beijo que rápidamente evoluiu para uma busca desenfreada pelos corpos e bocas uma da outra.


Acabaram por sair da banheira, enrolaram-se nos "toalhões" e foram para o quarto de Amélia. Ninguém disse absolutamente nada mas ambas sabiam o que ia acontecer.


Amélia tirou-lhe a toalha com meiguice, recostou-a na cama e começou a percorrê-la com a língua. Primeiro o pescoço, depois o peito... Os mamilos de Fá estavam espetados e duros disfrutando daquela boca que os beijava, chupava, lambia... como alguém que gosta que lho façam é capaz de fazer. Fá estava "desorganizada". Não podia dizer que nunca lhe tinha passado pela cabeça, mas a ideia de ter outra mulher, ainda por cima colega de trabalho, a fazer aquilo deixava-a confusa entre o "politicamente correcto" e a tesão que se apoderava dela e não a deixava desejar outra coisa que não fosse a boca da amiga noutro lado muito concreto.


Amélia percorreu-lhe o tronco com a boca, desceu para o baixo ventre e andou um pouco a passear com a língua fazendo-a sentir-se a latejar. Depois de passar a língua pelas virilhas seguiu para as pernas. Estava a torturá-la um bocadinho. Aquela língua marota passeava pelo interior das suas coxas, uma e depois outra e nunca mais ia onde ela a desejava.


A sensação de calor húmido quando ela a envolveu causou-lhe um espasmo que a percorreu de alto a baixo, seguido de ondas de prazer, à medida que descrevia movimentos circulares à volta do seu grelinho, chupando-o depois para dentro da boca para brincar com ele mais à vontade. Por vezes sentia a ponta da língua a penetrá-la ligeiramente fazendo-a abrir-se, o que a punha ainda "pior".


A boca dela envolvia-a e fazia-a sentir-se "manietada", fora de controlo.


Olhando para ela com um sorriso de "cabra", abriu uma gaveta e tirou um "brinquedo" e um preservativo que lhe colocou, começando a brincar com ele à entrada daquele buraquinho sequioso enquanto a língua continuava a fazer o seu "trabalho".


O "brinquedo" não era grande mas tinha consistência. A sua manipulação mais o efeito da língua rápidamente produziram o seu efeito. Fá não conseguia estar quieta. Amélia sabia o que aí vinha e aumentava a velocidade e a intensidade, tanto com o "dildo" como com a língua. Em pouco tempo vieram os espasmos e a sensação de orgasmo que lhe percorreu todo o corpo com uma intensidade que a fez perder as forças. Deu consigo a dizer:


- Devia ser proibido sentir tanto prazer....

- Proibido? Devia era ser obrigatório, amiga... Vamos jantar?

#9



Lisboa fica com uma luminosidade mágica ao pôr-do-Sol. A forma como reflete a luz quente era algo que ela não apreciava com aquele espirito havia muito tempo. Tomava noção de como certos estados de espirito nos podem atrofiar no que diz respeito a apreciar momentos simples como aquele.


O regresso fora feito quase em silêncio. Uma mistura de cumplicidade e tensão. Amélia estava a abri-lhe portas que, até certa altura, não estava certa de querer transpor. Sentia, a cada dia que passava, esse sentimento a esbater-se. Várias vezes ao longo do fim de semana sentira vontade de beber a vida até à ultima gota como se não houvesse amanhã. Sentira-se viva de uma forma que já nem recordava que existia. Perguntava-se se alguma vez tinha existido...


Uma festa na cara e ao longo do braço toruxe-a das recordações. Amélia sorria para ela. tinham acabado de chegar.


- Vamos tomar uma banhoca rápida e despachar se não, jantamos às tantas. Se calhar o melhor é partilharmos o duche. Assim é mais rápido.


A perspectiva de ter Amélia com ela no duche provocou em Fá uma reacção muito diferente da primeira vez que ali chegara.


Estava já a tomar banho quando ela entrou. Sem dizer nada, ela tomou a esponja das suas mãos e começou a ensaboar-lhe as costas ao mesmo tempo que, com a outra mão, percorria os seus ombros, costas... até ao fundo, provocando-lhe um agradável formigueiro.